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Minha mãe já dizia: careta fica na cara de quem faz

Publicado por: enrique bóveda em: 16 junho, 09

Tá um B.O. danada a situação da greve na USP. Em busca de notícias sobre as causas do repúdio às ações da polícia, afirmado até para fora do estado (vide UFPR), encontrei uns vídeos que me deixaram arrepiado. (Para saber + sobre os motivos da greve).

Neste aqui, a PM avança pra dentro da USP tipo um time de futebol americano, com seus típicos sprays de pimenta, bombas de efeito moral e tiros de borracha.

Neste outro, vê-se um grupão de estudantes cercando 4 ou 5 PMs na parede que, a princípio, chegaram lá pra garantir o direito de manifestação (mesmo que vestidos como que pra guerra…) dando a ordem de vazarem, e um idiota até fuçando no colete de um deles…

É de entristecer tais cenas. Mas não posso afirmar muita coisa, pois não estava lá para saber melhor como começou toda essa brutalidade. O que fiz foi me informar da melhor maneira possível, sem ficar só na TV absorvendo o acontecimento só de um viés.

E no fim, dá pra se tirar uma lição, pra prosseguirmos pisando duro por nossos direitos de um jeito mais, digamos, tático.

Nesse apoio à distância, vejo que a web (a computadorizada e todos os outros meios horizontais de passar a informação) é uma ferramenta muito útil, pois pode ela direcionar melhor nosso constante risco de radicalismo, principalmente quando há gente que se esforça pra defender suas causas, sem esquecer de ponderar suas conseqüências e sem usá-las como desculpa pra atacar no momento mais “conveniente” (pra não dizer covarde).

É pela internet que encontrei alguns depoimentos que pegam com mais serenidade na veia do conflito, tipo a de um tio que ministra aulas na Escola de Comunicação e Artes lá e a das duas indicações de notícias que pus ali abaixo, uma do jornal Estadão e outra do MovE, Portal do Movimento Estudantil no Brasil.

Eu disse isto a ela [Suely Vilela, reitora da USP até o fim de 2009]: o que o fechamento do prédio da reitoria, o que o fechamento do prédio da prefeitura, o fechamento do Coseas [Coordenadoria de Assistência Social, órgão que regula todas as bolsas na universidade], são manifestações defensivas dos trabalhadores e que fazem parte, reconhecidamente, das estratégias de luta legais da classe trabalhadora a pelo menos 2 séculos… São um momento de linguagem da greve absolutamente reconhecido em todos os países democráticos. O que não é reconhecido é esta presença militar aqui no câmpus e que é o sintoma mais claro de uma pseudo-direção da universidade que não tem a capacidade de angariar pra si um voto sequer, ou seja, que só chegou à direção da universidade porque não precisou pedir voto.
É porque não precisou pedir voto que, neste momento [3 de junho, pelo que parece a julgar pelo vídeo ae], recorre a uma medida como esta que antagoniza [? rolou uma distorção no vídeo e eu entendi: 'que antacomoestaquiiniza'.. oO] com toda a comunidade universitária. É porque não precisou pedir voto que não tem a capacidade de discutir ou de dialogar politicamente.

Falando nisso..

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Citadouro

"Não digas de nenhum sentimento que é pequeno ou indigno. Não vivemos de outra coisa que dos nossos pobres, formosos e magníficos sentimentos, e contra cada um que cometermos uma injustiça é uma estrela que apagamos"

- Hermann Hesse, (1877-1962), escritor alemão, naturalizado suíço em 1923.
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