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Dez anos do Carnaval Anticapitalista

Publicado por: enrique bóveda em: 18 junho, 09

A TAZ pressupõe um certo tipo de ferocidade, uma evolução da
domesticalidade para a selvageria, um “retorno”, e ao mesmo tempo um passo adiante. Ela também demanda uma “ioga” do caos, um projeto de ordens “mais elevadas” (de consciência ou, simplesmente, de vida) das quais uma pessoa se aproxima  “surfando a crista da onda do caos”, do dinamismo complexo. A TAZ é uma arte de viver em contínua elevação, selvagem, mas gentil – um sedutor, não um estuprador, mais um contrabandista do que um pirata sanguinário, um dançarino e não um escatológico.

Hakim Bey, em TAZ (Zona Autônoma Temporária)

Há exatos 10 anos acontecia em Londres o “Carnaval Anticapitalista”. Grupos de jovens destruíram o distrito financeiro central da cidade em protesto aos símbolos e objetos de uma certa globalização.

Em 30 de novembro do mesmo ano, em Seattle, cidade situada no noroeste de um país pouco enrolado à história dos autonomistas europeus, uma tática semelhante, apelidada de Black Bloc N30, foi ativada por um grupo de 100 a 300 militantes. Eles protestavam contra a OMC, vestidos todos de preto e usando máscaras que garantiam tanto a promoção de uma solidariedade entre os manifestantes quanto o anonimato perante os aparelhos “persistentes” e repressivos do Estado e dos “robocops”.

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Nessas cenas mais panques pela “globalização da revolta”, podiam-se ver quebra de vidraças de bancos, queima de veículos e construções privadas. Um choque para os olhos dos mais apavorados, não? Mas eu me pergunto: qual o grupo uniformizado que é mais covarde nesses confrontos? Veja o vídeo a seguir, filmado em 2001 no Black Bloc em Gênova contra o G8, para ver se concorda com isso que estou dizendo:

Os fatos, ao serem construídos em massa e em unívoca opinião, em muito ajudam a difamar os levantes anticapitalistas – talvez pela maestria pavorosa em se eximir policiais de culpa e pelo possível infiltramento perverso destes nos caminhos do tal Black Bloc italiano, como nos sugere Martin La Battlaglia.

Talvez tais atitudes não sejam as melhores para todas as manifestações de desabafo contra a opressão atual. Mas em seu tempo e espaço, podem, sim, ter chegado à temperatura estratégica, ao peito-a-peito necessário diante de tantos abusos.

Falando nisso:

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Citadouro

"Não digas de nenhum sentimento que é pequeno ou indigno. Não vivemos de outra coisa que dos nossos pobres, formosos e magníficos sentimentos, e contra cada um que cometermos uma injustiça é uma estrela que apagamos"

- Hermann Hesse, (1877-1962), escritor alemão, naturalizado suíço em 1923.
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